segunda-feira, 9 de julho de 2018

Como os brasileiros se tornaram amantes do basquete norte-americano

Getty Images

Neste post vamos abordar novamente o tema desterritorialização do esporte, mas dessa vez falaremos um pouco sobre como ocorreu a influência do basquete norte-americano dentro do Brasil, até este se tornar uma febre entre os amantes do esporte, que passaram a torcer ferrenhamente pelos times da NBA, a liga norte-americana de basquete.

Para comeƧar, Ć© importante entender que o basquete perdeu um pouco da sua popularidade no Brasil, por conta dos resultados negativos do paĆ­s em competiƧƵes internacionais. Atualmente, a hegemonia estadunidense Ć© dificilmente quebrada, salvo raras exceƧƵes, como a Argentina campeĆ£ olĆ­mpica no masculino em 2004 em cima do “dream team”, como Ć© conhecida a seleção de basquete dos Estados Unidos.

Mas nem sempre foi assim. As seleções masculina e feminina de basquete do Brasil sempre foram fortes historicamente. Ambas possuem títulos mundiais (dois da masculina e um da feminina), e inúmeros jogadores que marcaram época no basquete mundial, como Oscar Schmitd e Hortência. Mas o esporte vem sofrendo uma espécie de decadência dos anos 90 pra cÔ, e os desempenhos nas competições internacionais tem ficado bem abaixo das expectativas, o que leva à diminuição do número de pessoas que acompanham o basquete.

Em contrapartida, o basquete norte-americano foi crescendo gradativamente. Desde o final da década de 80, quando a TV Bandeirantes passou a transmitir a NBA, a liga começou a se tornar uma febre no Brasil. Naquela época, despontavam lendas do basquete como Michael Jordan, Charles Barkley, Hakeem Olajuwon, John Stockton, etc., e a procura pelo alto nível se intensificou. Hoje, a NBA é transmitida pelo Sportv e pela Espn aqui no Brasil. Para se ter uma ideia, a final da temporada 2017/2018 entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors teve um crescimento de 23% em relação à final da temporada anterior, disputada pelas mesmas equipes.

Mas o crescimento dessa audiĆŖncia nĆ£o aconteceu por acaso. Existem inĆŗmeros fatores, associados principalmente Ć  ideia de rede (que vocĆŖ pode conferir no primeiro texto sobre territorialização), que fizeram a NBA ter esse “boom” no Brasil. Primeiramente, o investimento feito pela liga. Desde sempre, os melhores jogadores de basquete do mundo atuam pela NBA, jĆ” que Ć© onde os salĆ”rios sĆ£o mais altos, pois as franquias possuem mais dinheiro. Logo, a visibilidade de um jogador atuando pela NBA Ć© muito maior, o que lhe rende mais patrocinadores, o que faz de tudo isso um ciclo que beneficia a todos.

A partir de tudo isso, podemos ver imensas quantias de dinheiro envolvidas na liga. A franquia New York Knicks, por exemplo, foi avaliada em 3,3 bilhões de dólares (cerca de 10 milhões de reais) em fevereiro de 2017. LeBron James, hoje o principal astro da liga, ganhou em 2017 cerca de 88 milhões de dólares, sendo 55 milhões apenas dos seus patrocinadores. Isso tudo mostra como a NBA se tornou o grande centro das atenções no mundo do basquete, e, através da globalização, todos têm acesso e podem acompanhar a liga.

No Brasil, hoje, a NBA é uma grande febre. Cada vez mais camisas dos times da liga são vistas na rua. No Brasil, em estudo realizado em 2017, constatou-se que cerca de 21,11 milhões assistem NBA. A grande maioria dos que acompanham são jovens com renda intermediÔria, ou seja, aqueles que estão sempre conectados e recebendo informações de todos os lugares do mundo. Os times mais populares são o Chicago Bulls (29% da preferência), o Los Angeles Lakers (16%), seguidos dos dois times que hoje estão em maior evidência na liga, O Cleveland Cavaliers (13%) e o Golden State Warriors.

Nas redes sociais, o fenĆ“meno tambĆ©m cresce como avalanche. Hoje, a conta do twitter NBA Brasil possui 232 mil seguidores. Contas relacionadas aos astros da liga tambĆ©m foram criadas, como a Stephen Curry Brasil, que jĆ” possui 2.539 seguidores.  E, alĆ©m de tudo isso, a NBA ainda promove jogos em inĆŗmeros paĆ­ses durante a temporada regular e a prĆ©-temporada. No Brasil, os dois que aconteceram foram em 2013 (Chicago Bulls x Washington Wizards) e em 2014 (Cleveland Cavaliers x Miami Heat). Sendo assim, o nĆŗmero de fĆ£s tende a crescer ainda mais, atĆ© porque a Espn tem contrato com a liga atĆ© 2023.

Isso tudo é o resultado do fenÓmeno também relatado na primeira postagem sobre desterritorialização: crescimento do transporte da presença, como diz Weissberg. A importância do território passa a ser questionada, afinal as equipes passam a ter abrangência global, não mais local. O torcedor não precisa necessariamente morar na mesma cidade ou região para, pelo menos, ter acesso às noticias da equipe para qual torce em rÔdios, periódicos ou emissoras de tevê.

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